Meu site

www.bibaarruda.com.br

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Paz e Guerra -Carnaval 2012-

Domingo amanheceu quente e colorido. Preces de louvor e gratidão aqui no aconchego do lar.
Café da manhã reforçado,  algumas tarefas da casa feitas, como passar o pano com gotas de lavanda no chão da sala, arrumar camas, lavar louça, dar uma barridinha de leve, all around. O feriado imprime outro ritmo. Mais flexivel e sem pressa. Combinamos previamente,  que iriamos prestigiar nossa livraria do coração que mais uma vez se empenha em aproximar a arte do povo. Jogada de marketing sensacional, a loja fica lotada de gente em pleno carnaval. Fantasia a postos.  Miguel inventou a própria. Meu amor de camisa branca e bermuda de flores vermelhas.  As flores também não faltaram nos meus cabelos. Vestido rodado da cor do coral dos mares do Pacifico, modelo tomara que caia, me deixando a vontade pra rodopiar e dançar aproveitando com alegria a festa. Miguel criativo inventou um pirata contemporaneo, com direito a chapéu preto, a capa, a espada. Deu conta daquilo que estava ao seu alcance. Na hora de sair, pediu uma gravata ao  pai. -Pouco chamego com minhas gravatas.
No dia anterior eu já tinha emprestado uma ao Mig quando ele brincava de leiloeiro. 

Já na porta,  fez questão do detalhe, ficamos naquele impasse, deixa pra lá, esta bom assim meu filho.
O elevador já tinha chegado, mas o pedido do menino foi tão convincente que voltei com a anuencia do pai que sorria para mim, cumplice da situação. Achavamos que Miguel complementaria sua indumentaria de pirata  com o adereço requisitado, inusitado, mas quem somos nós para cortar sua criatividade. Para nossa surpresa, Mig tirou a fantasia do pirata estilizada por ele mesmo, e colocou a gravata:
- Vou fantasiado de professor!
Lá foi nosso mestre. Gostamos da escolha. Do apreço. Da magnitude dada a tão nobre oficio.
Se vestiu de professor e pois seu bloco na rua.
A festa deste ano com horario estabelecido, hora para começar e terminar. Das 11hs as 12hs.
Sol a pino. Multidão. Cheio de bebes e suas fantasias, crianças "divertindo-se". Confete e sepertina. Sprays brancos como espuma cruzavam os ares. A fauna e flora local composta por familiares em busca da alegria perdida. O numero de pessoas  multiplicou-se neste evento,  este é o terceiro ano que marcamos presença. 
Furunfumfum embalando o carnaval com antigas marchinhas, alegrando a criançada
e fazendo papais, vovos e agregados dançar debaixo do sol a pino.
Sacada esperta da Livraria da Vila. 

Poucas músicas foram o suficiente para nos satisfazer, o calor estava muito. Pra falar a verdade, achei meio gratuito tudo aquilo. Será que estou ficando chata, muito critica, exigente demais? Ou será que as escamas estão caindo. Achei meio forçado, sei lá...alegria urgente, a qualquer custo e preço. Hoje é dia de carnaval, tem que dançar e cantar, se fantasiar. Nós aqui em casa dançamos e cantamos muito no meio da sala, no chuveiro, na cozinha. Fantasia é uma coisa recorrente que é inventada diretamente do bau dos meninos, brincar aqui em casa é coisa levada a sério.
 Não precisamos de confete e serpentina. Não precisamos rasgar a fantasia. Nossa alegria não esta marcada no calendário.
 Bem,  de toda forma...vamos lá,  nossas próximas atrações, por favor?

 Saindo do bailinho vespertino do carnaval,  paramos mais adiante na própria Fradique Coutinho e experimentamos um novo natural. Praticamente abrimos o resto, era meio dia em ponto. Gostamos da iniciativa deles,  em incluir no cardapio cascas que seriam descartadas. Realmente há luxo no lixo. http://www.youtube.com/watch?v=xf-S3GDbc7A Projeto bem bacana realizado na Vila Madalena:  Banco de Alimentos. Vou estende-lo aqui em casa.

Saindo de lá, com nosso bloco em versão reduzida: Papai, Mig e eu. 
Maria Clara esta na casa de Julia e Ana The esta viajando. Fomos até o Memorial da América Latina
um complexo arquitetonico de Oscar www.niemeyer.org.br/

Por si só já vale o passeio.

Desavisados, estacionamos distante do local da exibição que nos planejamos visitar. Mas como nada existe "por acaso"esta distancia nos fez caminhar pelo Memorial, fomos a exibição continua onde pudemos nos deleitar com a arte nativa do Brasil, do Peru, da Colombia, entre outros paises que compõe nossa América Latina. Tem homenagem a arte de Frida. Oportuna visita no carnaval, Miguel observou de perto as vestimentas utilizadas por um casal Porta Bandeiras de uma escola de samba, que ele assiste na tela da Globo e ensaia seus passinhos caindo no samba e esticando as mãos como mestre sala pra Maria, sua irmã de 11 anos dançar com ele. Fofo estes dois. Dois baianos com samba no pé.
Enquanto Mig e eu comentavamos o que viamos papai ia em outro ritmo observando detalhes com mais atenção. Eu ia falando alto o que achava interessante, Miguel divertindo-se também. Daí que paramos diante uma mostra de bonecos e um altar movel. Ele olhou as caveiras e falou: Que horror!!!

Duas mulheres que também estavam apreciando cairam na risada eu também! Percebi que no afã de querer mostrar o que estava vendo, não permitia que ele visse e editasse o que mais lhe chamava atenção. E a partir daquela vitrine invertemos o jogo -ainda que sem expressar as novas regras- ele foi o monitor da nossa visita, e digo que foi bem interessante ter este menino sensivel me mostrando o que etava vendo. Claro que quiz colocar seus braços dentro da bocona do jacare de madeira. Dificil nao poder tocar ! mas desde cedo ensina-mos: Mãos de museu!
E nossos filhos que já aprenderam a lição seguem com  seus braços arqueados para as costas, e entrelaçam as mãos para atras.  Evidente que a gente durante o percurso todo tem que alertar: Maos de Museus! inumeras vezes, principalmente quando dá aquela vontade loka de tocar. Eu sei como é esta vontade, tenho que mentalmente dizer pra mim também: maos de museu!!!!

Depois da expo perene do museu da America Latina,  parada obrigatória,  para uma agua gelada no restaurante do memorial. Encontro com um italiano simpatissimo, o Babbo, pai da Giulia. Como Renozinho estava sozinho com Miguel, colocou-o sentadinho sobre o balcão, enquanto o bonna gente  pegava  uma agua estupidamente gelada, e cumplice perguntou com um sorriso nos labios: 
-Pai solteiro?
-Não. Pai casado! 
Eu vinha chegando logo atras ele me apresentou, o que foi a deixa pro italiano do sorriso simpático,  continuar a expor sua vida: - Casei 7 vezes. Sou fiel somente a minha Giulia, minha filha de 5 anos, a mãe dela tem 25 - o homem deve ter uns 65/70- O problema só pode ser meu!
E seguiu contando orgulhoso como era ter a guarda da filhinha.
Terminada a longa explanação, saímos.
Com direito a uma bela travessia. 
Inesquecivel, passear neste trajeto com Miguel se pendurando ao segurar a mão do pai e da mãe.
 Tão simples ser completamente feliz.

Chegamos ao espaço destinado onde em breve, estariamos frente a frente,  aos ultimos e maiores murais (14 x 10 m)executados por Portinari entre 1952 e 1954e. Encomendados pelo governo do Brasil para presentear a sede da ONU em NY. Localizados no hall de entrada da Assembléia Geral, os monumentais painéis estão em local nobre porém de acesso restrito. Por este motivo o acesso ao grande publico é um sonho do Projeto Portinari. Aproveitando a reforma que acontece no predio da Onu entre 2010 e 2013 isto foi possivel. Resultado de mais de três anos de empenho e articulações com o Governo Federal, instituiçoes internacionais, empresas estatais e privadas, finalmente o sonho se tornou uma realidade. Apenas uma porta entre nós.
De fevereiro a maio de 2011, Guerra e Paz foram restaurados no Palácio Gustavo Capanema em atelie aberto ao publico com realização de programa educativo voltado para o atendimento as escolas.
Estamos diante de algo que nem mesmo o pintor teve a oportunidade de ver em sua totalidade.
Além de apresentar os painéis restaurados a exposição reúne cerca de uma centena de estudos preparatórios de Portinari em premiere mundial, em seguida uma etinerancia nacional e internacional esta sendo planejada ate o retorno dos painéis a ONU em 2013.

Chegamos a porta daquele espaço tão alto, não havia filas, nem ninguém, os monitores comentavam entre eles, e se comunicavam por rádios: -Estes são os últimos a entrarem! e colavam em nosso peito adesivos com o logo da expo Guerra e Paz. -A exposição será encerrada por hoje? perguntei. -Não, existe um número determinado para as obras serem apreciadas. E fomos encaminhados sem maior delongas. Inicialmente achei dificil me posicionar para ver a totalidade da obra. Achei que precisava de um recuo maior, andei de lá pra cá. Me assustei com tantas pessoas fotografando e filmando. O lugar era escuro, refleti: É melhor estar do que registrar. Complicado ver através das lentes, se esta in loco. Bem, retomei o foco,  eu que não deveria me distrair com tal quesito, havia tanto em que me entreter diante daquelas obras imensas. Lá dentro estava completamente lotado, Miguel passeava naquele escuro de lá pra cá. Numa dada hora Renozinho encontrou nosso miudo super bem posicionado. Acho uma cadeira e sentou ali atrás. Renozinho falou: Miguel achou o melhor lugar para apreciar a obra.
 Os paineis ficam expostos um na frente do outro. É um contra ponto imenso. Um confronto.

 Portinari retratou a guerra sem usar nenhum elemento bélico. A guerra é a angustia das pessoas, o povo sofrido é a pior guerra que possa existir. As mãos desesperadas. O azul de sua palheta utilizado com tamanha força, remeteu ao Blues que significa depressão em ingles,  e a cantico dos negros entoando seus Blues.
Interessante assistir esta exibição no carnaval brasileiro. Muita reflexão o confronto da paz e da guerra.
E o que é a guerra? e o que é a paz? num contexto universal? num contexto pessoal. Enquanto buscava o melhor lugar, andando entre as pessoas que admiravam a obra e eram impactadas por ela, fomos surpreendidos pelo aviso que o audio visual começaria em breve. Todos fomos convidados a nos sentarmos nos chão, de certa maneira nos despojarmos de tudo. Renozinho, eu e Miguel deitamos mesmo. E nos entregamos ao belo documentário Guerra e Paz com roteiro e direção de Carla Camurati com trilha de Villas Lobo com a voz de Milton Nascimento narrando e as imagens desfilando sobre nós. A tela onde esta imagem era exibida, acompanha as dimensoes dos paines, que eram expectadores do que viam. A minha sensação ali deitada, era que naquele instante, as obras apreciavam as criaturas. Foi emocionante.www.guerraepaz.org.br saimos dali emocionados. A arte sacode, impulsiona, chacoalha. Miguel estava na mesma sintonia. Na biblioteca outra exibição, detalhes e desenhos do projeto, cartas escritas e datilografadas. Me senti uma voyer observando o processo criativo. O texto de Dinah na parede da esquerda, na  saida da exposição,  me emocionou. A maneira que ela descreveu o momento que Portinari sofria dizendo que os medicos haviam proibido ele continuar de pintar, já que o material estava o envenenando. O jumbo do oleo, me explicou Renozinho. Luxo ter este moço pra complementar sensivelmente o que vemos no museu. Fabuloso ler os escritos de Cecila Meirelles, de Dinah Silveira de Queiroz, de Rachel de Queiroz, Milton Nascimento sobre a obra de Portinari.
                                    Guerra e Paz. Paz e Guerra. Emocionante ler na parede, o escrito do filho João Candido Portinari, transcrevendo trecho de uma carta, quando ele reENCONTROU seu pai através da sua obra. Ver o desfile das obras de Portinari sentadinha em pufs confortaveis com a opção de ouvir um som nos fones incriveis. Deleite. Confronto interno o que é paz o que é guerra para mim?
 (...)"A paz é figurada com tons dourados, alegres, crepitantes de vida, o pintor parece nos dizer:             A paz universal é possivel.Dia virá em que a humanidade desfrutará da paz sem limites no espaço e no tempo" (trecho do artigo publicado no livro "Guerra e Paz- Portinari editado no ano do cinquentenario da instalaçao dos painéis na sede da Onu)

Hoje li um artigo muito bom  publicado na última pagina da revista  Isto É desta semana, escrito por Ana Paula Padrão que complementa minha reflexão sobre Guerra e Paz. http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/45_ANA+PAULA+PADRAO


Você reconhece quando chega a felicidade?

"Forçar uma situação de felicidade tem tudo para terminar em arrependimento e frustração"

Concordo com ela, nada contra o carnaval. Mas é no minimo esquisito esta urgencia de viver uma alegria/felicidade com data e hora marcada...pra tudo acabar na quarta feira de cinza.
Guerra e Paz?
Cena dramatica no momento de apuração dos votos que definiria a escola
de samba campeã de São Paulo

Visitação terça a domingo 9hs as 18hs ENTRADA FRANCA
agendamento Educativo: educativo@portinari.org.br
Lamentavel o ocorrido na apuração dos votos da escola de samba campeã em SP. Nas paginas do programa da expo Guerra e Paz uma frase de Tolstoi que abre alas para eu promover a paz ao meu redor:
 Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.

1 comentários:

  1. la nese lugar foi muito legal e muito bacana e aprendi muitas boa lisão de vida para todos nos eé bacana

    ResponderExcluir